Apuração

Conteúdo

Sensibilização

Jogo de Mafioso – 40 minutos

Questões para compartilhamento:

  • Como você agiu para descobrir quem era do bem/mal?
  • Como você agiu para comunicar suas descobertas?

Teoria:
O que é apuração? Qual sua importância dentro do jornalismo?
Apresentação do vídeo:

 Desconstrução de uma reportagem publicada para chegar ao roteiro de apuração (vide referências e repertório)

Prática:
Parta de uma lista de 4 ou 5 estereótipos (ex: em São Paulo se trabalha mais e se descansa menos que no Rio de Janeiro; O sistema capitalista é a fonte de toda desigualdade; Mulher grávida trabalha menos) e distribua em cada subgrupo: apurar a veracidade ou não dos estereótipos.

Questões para compartilhamento:

  • Quais foram os caminhos de apuração?
  • Quais são as fontes dos estereótipo?
  • Quais são as fontes para comprová-los ou desmontá-los?

Apure o orçamento da secretaria de transporte do seu município: quais caminhos são possíveis (entrevista, dados públicos, acompanhamento dos gastos)? Como analisar os dados levantados?

Compartilhamento da experiência

Lição de casa:
O que seu lixo diz sobre você/sua família? Com base no pensamento de apuração, analise os cotidianos dos habitantes da sua casa com base nos resíduos sólidos.

Encerramento
Eu me apuro: meditação ativa – o corpo como fonte primária de apuração sobre si mesmo.

Entrevista para Audiovisual

Teoria


Antes de tudo

  • Entrevistas são conversas e no vídeo isso tem que parecer bem natural.
  • O seu entrevistado é um reflexo de você: Se você estiver bolado, a tendência é que o entrevistado também fique pra baixo. Demonstre interesse, reaja às respostas sem falar (tipo com ar de surpresa, de concordar, de não entender, mas sem deixar que suas reações influenciem muito na resposta dele. se o tema for polêmico, é melhor só fazer a poker face).
  • As pessoas geralmente ficam tímidas pra conversar na frente de uma câmera, então mostra que você tá tranquilo e seguro, conversa com a pessoa olhando no olho dela pra que ela esqueça a câmera e foque em você. Quebrar o gelo.
  • Além disso, a câmera também pode acionar um estado de “Profissional” na pessoa e fazer com que ela dê respostas artificiais, plásticas. Pra evitar isso, você também não pode ser formal demais. É uma conversa.
  • Na hora de fazer as perguntas da entrevista, geralmente você constrói uma linha de raciocínio entre uma pergunta e outra. Na hora da entrevista, a conversa pode embaralhar essa ordem, mas tudo bem. O importante é você conseguir perguntar tudo o que precisa. É bom, então, ter as perguntas ou as ideias do que saber na cabeça, pra você não fique perdido. Pega o contexto da conversa e vai fundo.
  • Tratar a entrevista como uma conversa pode te fazer pensar em outras perguntas no meio da gravação. Se elas forem pertinentes pro que você precisa, aproveita pra fazer. Só toma cuidado pra entrevista não ficar looooonga demais, ou vai cansar o entrevistado e ter problemas na hora de editar.
  • Cuidado pra não ficar olhando muito pro papel das perguntas. Enquanto a pessoa estiver respondendo, é importante que você preste atenção.
  • Se você se perder, não tem problema. Fica calmo, pode dar uma pausa, procura se encontrar e segue o baile.
  • Pra que tudo funcione, você precisa ter informações sobre o seu entrevistado, pra que as perguntas saiam mais contextualizadas, pra evitar que você se perca na conversa e pra ele também saber que você pesquisou sobre ele e que sabe sobre o que tá falando. Mais chances dele se abrir mais por estar mais a vontade.
  • É bom que você pense em como aquilo será editado pra gravar (ou pelo menos ter uma ideia). Já pensar na edição enquanto grava facilita o trabalho depois.

Como gravar entrevista + 5 DICAS MAROTAS

O que você precisa pra gravar

Lentes, câmera, microfones, tripe, cartões de memória, bateria extra.

Modelos de entrevista

  • Entrevistador aparece: cuidado pra não roubar o protagonismo; mostrar os bastidores da gravação.
  • Entrevistador não aparece: você precisa garantir que o entrevistado responda suas perguntas de maneira completa, sem que, pra isso, você induza a entrevista.
  • Câmera em movimento – como num bate-papo: Donatella e Larissa Manoela

Posicionamento

  • Diagonal e perfil (sempre com o entrevistado olhando pra dentro do vídeo) ou centro.
  • Regra dos 3 terços (posicionar o olho no ponto superior esquerdo ou direito e a boca nos respectivos pontos inferiores). Na teoria, esses são os pontos que o cérebro mais presta atenção.
  • Os planos dependem do que se quer passar com eles: planos mais abertos podem mostrar o cenário.
  • Todas as entrevistas precisam ter a mesma ideia de posicionamento
  • Olhar ou não pra câmera: depende da linguagem escolhida (quando o entrevistado fala olhando para o entrevistador, ele esquece a câmera e a conversa flui melhor; cuidado com entrevistados leoninos que ficam olhando para a câmera, achando que a entrevista é uma performance)

Imagens de apoio: você precisa ter mais tempo de imagens de apoio do que de entrevista.

  • Show don’t tell: é melhor você gravar a pessoa fazendo café do que ela dizendo que gosta de fazer café.
    • No PF: gravar a rotina do estabelecimento, os pratos sendo feitos, a estrutura do lugar, o entorno, pessoas comendo.
  • Dão respiro para o vídeo, menos cansativo
  • Precisa fazer sentido pro vídeo – você precisa gravar coisas que tenham a ver com o que o entrevistado disse ou sobre qual o assunto abordado.
  • Ausência de imagens de apoio pode ser amenizada com duas câmeras gravando a entrevista (na edição, você alterna entre câmeras pro vídeo não ficar parado)
  • Prefira fazer imagens de apoio com a câmera parada ou com pequena movimentação; gravações com pelo menos uns 15 segundos pra facilitar a edição.
  • Entrevistado surpresa: as imagens de apoio vão aparecendo enquanto o áudio da entrevista segue. Entrevistado só aparece depois de um tempo.

Bastidores Conexão Quebrada – um misto de imagens de apoio com entrevistas

Áudio

Você consegue assistir um vídeo com uma imagem prejudicada, pode sobrepor com outras imagens, mas não dá pra assistir um vídeo com áudio ruim.

  • Microfone de lapela – captação concentrada, curta, capta o áudio da voz com mais qualidade / cuidado com colares, correntes, blusas que podem raspar na lapela e causar ruídos
  • Microfone direcional – capta melhor que o microfone da câmera (duas direções – reto e para baixo). Bom pra captar as imagens de apoio.
  • Plugou, testou, gravou. Câmera tem um mapa de áudio que pode mostrar se o microfone está funcionando.

Cuidados

  • Termos de uso de imagem (cuidado pra gravar pessoas aleatórias na rua – não mostrar rosto)
  • Equipamentos são frágeis; sempre use as tampas para lentes e câmera quando não estiver usando
  • Descarregue o cartão de memória no computador ou HD externo o quanto antes e formate pra liberar para um próximo uso / desavisados podem apagar e você pode perder tudo
  • Recarregue as baterias depois que utilizar as câmeras

Prática:

  • Em trios (entrevistado, entrevistador e câmera) simular uma entrevista. Cada aluno deve revezar uma vez em cada papel. Anotar dúvidas para perguntar ao final.

ou

  • Alguém senta como entrevistado e o profissional de referência vai ajustando as coisas ao vivo pra eles verem.

Lição de casa:
Entreviste alguém da sua casa ou na rua em formato de stories do instagram

Encerramento

Meditação reflexiva: imagine que você está diante de uma porta. Calmo. Não há nada de ameaçador do outro lado. Você abre a porta e dá em um quarto aconchegante e simples. Uma pessoa está sentada em uma cadeira. Essa pessoa é você. Você te olha e uma entrevista começa: que perguntas você faria? e o que Você responderia?

O que é pauta?

Conteúdo

  • Pauta é a expressão de uma hipótese, reportagem é a expressão de uma tese
  • O que é hipótese e a importância do indivíduo em sua constituição: o repórter como sujeito
  • Intencionalidade sistematizante (Piaser: 1976:25)
  • Recolha de dados construídos por si, mais do que influenciados (Devereux)
  • Necessidade do método: filtros do papel do investigador
  • Interesses e objetivos: pessoais e do jornalismo

O que é pauta?

  • Pautas diferem de acordo com o tipo do veículo (jornal, revista, site)
  • Necessidade técnica e política de planejamento
  • Pauta boa: “Uma pauta bem feita prevê um volume de informação necessário para garantia de eventuais quedas de pauta e ainda matérias que poderão ser aproveitadas posteriormente (…) Evita, por outro lado, o consumo inútil de homens-hora em produtos que jamais serão veiculados” (Lage, 2002: 37).

“Cada editoria faz sua própria pauta e a discute com as outras editorias e com a Secretaria de Redação na reunião matinal diária. Cada editoria deve ter uma relação de temas a serem periodicamente acompanhados. Essa lista deve ser definida em função da estratégia de cada editoria, levando em conta o perfil do leitor e os temas que são mais importantes no seu cotidiano.” (FSP, 1996:s/n)

  • Objetivos da reunião de pauta: reunião é executiva, não serve a pensar o longo prazo
  • O pauteiro: editor de planejamento; o que é preciso ter para ser um bom pauteiro: Agenda de eventos, agenda de telefones, confiança, paciência, agilidade, capacidade de decisão,
  • Pauta de reportagem ou de notícia
  • Pautas diferem de acordo com o tipo de veículo (jornal, revista, site)
  • Necessidade técnica e política de planejamento
  • Pautas de notícias: eventos programados ou sazonais, eventos continuados, desdobramentos, fatos ainda não noticiados
  • Pautas de reportagem: pautas com gancho e pautas sem gancho. “Não se trata apenas de acompanhar o desdobramento de um evento, mas de explorar as suas implicações, investigar, interpretar” (Lage, 2002: 39). Intersecção da pauta de reportagem com a pauta de notícia
  • Pauta de notícia boa: resumida em uma frase, contém evento, hora e local, exigências para cobertura, contatos, indicação de recursos e equipamentos, o que se espera em termos de aproveitamento editorial (item mais relevantes), alinhahmento editorial, indicação de fontes subsidiárias, histórico dos acontecimentos, roteiro de perguntas essenciais que o texto deve responder, fontes que garantam o pluralismo, previsão de conteúdos adicionais (box de saiba mais, entrevista, recursos gráficos etc.)
  • Fontes para pautas. Ativas: contatos com a redação, releases (riscos e vantagens de ambos); Passivas: observação, reportagens de outros veículos, apuração própria (riscos e vantagens de cada um)

Alertas

– “Preconceitos e pressupostos ajuda pouco e atrapalham muito em jornalismo” (Lage, 2002:42)

–  “Toda pauta parte de uma hipótese, ou seja, de uma suposição inicial que vai ser corroborada ou não pela reportagem” (FSP, 1996:s/n)

– “Por mais ênfase que se dê às vantagens do planejamento, é preciso deixar margem à improvisação” (Lage, 2002:42)

–  “O repórter deverá também ter bom senso suficiente para mudar a angulação de uma pauta sempre que um assunto levantado no meio de uma entrevista ou cobertura se sobrepuser aos demais pedidos pela pauta”. (Martins Filho, 1997)

Lição de casa:

  • A partir de notícias & reportagens atuais, preencher a ficha de pauta
  • Compartilhamento: o que você pensa sobre esta pauta a partir do que vimos na teoria?
  • Liste 3 pautas que seriam “quentes” e importantes sobre a sua vida neste momento. Por que são relevantes?

Encerramento:

Meditação reflexiva: recuperando meu dia, quais acontecimentos me atravessaram, deixando impressões mais significativas? quais seriam “pauta”?

Estrutura do texto jornalístico

Conteúdo

 

TEORIA

Coisas que você deve levar pra vida:
– O texto jornalístico conta uma história
– Pra quem vc escreve?
– Que espaço você tem ou quer usar?
– Vai ter só texto ou mais recursos?
– Já tem linguagem e abordagem definidas? Descubra e construa a sua (copie, treine) e conheça o veículo para escrever com a abordagem e linguagem certas

QUAL HISTÓRIA VOCÊ VAI CONTAR?

– Quais dados tem?
– Que pesquisas foram feitas?
– Responda as seis perguntas do jornalismo (o que, quem, onde, quando, como, por quê)

Organize a informação que tem e responda a pergunta da forma mais clara possível (pra si mesmo ou para alguém).

COMO COMEÇAR O TEXTO?

Tipos de abertura de texto, sempre tendo como norte “a história que estou contando”.

– lead > http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2015/04/22/reconstrucao-pode-levar-um-ano-diz-prefeito-de-cidade-atingida-por-tornado.htm

– imagem, história que resume > http://educarparacrescer.abril.com.br/politica-publica/pedibus-542635.shtml

– frase > http://revistapiaui.estadao.com.br/edicao-103/esquina/uma-noite-brasiliense

– suspense pra puxar o leitor > http://revistapiaui.estadao.com.br/edicao-103/esquina/dra.-kd-vc-

– impacto > https://brasil.elpais.com/brasil/2017/04/04/politica/1491332481_132999.html

– pergunta > http://g1.globo.com/economia/noticia/2013/11/fotografo-lanca-livro-com-fotos-cliches-sobre-crise-na-europa.html

E DEPOIS?

Crie um mapa dos assuntos. Pode ser por capítulos, uma caixa com papeis, relato da história com palavras-chave, ou hashtags. O que fica e o que vai pro lixo? Começa aí o processo de edição. Quanto mais descartar, melhor. Decida o que é fundamental: informação nova, forte e contexto para que todos entendam.

COSTURE A HISTÓRIA

– Alterne dados, informação de pesquisa com descrições, relatos e frases. Informação dura (dados) e mole (histórias) devem conversar
– Um parágrafo deve “chamar” o outro, apresentando alguma informação que vai ser detalhada, “endurecida”, no seguinte.

FALAS E VOZES DOS ENTREVISTADOS

– Quando e quanto eles merecem? A escolha deve ser sempre por relevância
– Como entram? Por meio de travessão, aspas ou menção indireta (na boca do autor do texto)

Regra de ouro > simplicidade sempre: frases não muito longas, palavras simples e comuns

Como dados me representam?

Teoria

Buscar dados que expressem como você é / Como dados podem refletir uma singularidade? / Como você está representado?

Prática

Cada estudante traz os dois dados que colheram sobre si mesmos e vamos discutir no grupo como foi feita a colheita e o que esse dado diz/expressa sobre a pessoa. Se tiverem dados correlatos, vamos tentar fazer análises/comparações entre dados.
Faça brincadeiras comparativas dos dados com dados abertos (você percorre por semana uma ida de São Paulo a Campinas, etc).
O que essas percepções fizeram você perceber de diferente sobre você? Algo que você não tinha notado antes? O que isso significa?
Contexto e impacto: tem uma parte do dado que é sobre sentimento e ele está dentro de um contexto. O que isso significa em relação aos seus amigos e quais as possibilidades em termos de impacto pessoal?

Materiais necessários

Lousa, caneta, post it

Lição de casa

Poste nas redes sociais que palavra o outro associa a você e crie uma notícia sobre você a partir de seus dados