Percurso

O curso de jornalismo é estruturado em módulos que, na parte técnica, vão sempre da pauta à distribuição. Essa organização serve de referência para que cada educador monte seu próprio curso.

A jornada come√ßa na forma√ß√£o da turma, com um processo seletivo (link) que busca formar uma equipe que se completa em termos de habilidades t√©cnicas e humanas. O aprendizado √© percorrido em 3 momentos distintos: iniciando na introdu√ß√£o, que prepara para as discuss√Ķes e produ√ß√Ķes dos m√≥dulos e termina com um fechamento.

O processo de aprendizagem sustenta-se sobre esse esqueleto, que deve ser moldado com base nos tempos, conte√ļdos e momentos vividos, levando em conta os recursos, a turma, os contextos.

Em cada m√≥dulo, um tema √© explorado por meio da apura√ß√£o e produ√ß√£o de um produto jornal√≠stico ‚Äď o que demanda a defini√ß√£o das t√©cnicas jornal√≠sticas a serem trabalhadas. A escolha dos temas parte de parcerias institucionais ou da escuta do interesse do grupo. A escolha do formato de m√≠dia do produto parte da equipe, levando em conta os recursos, as habilidades t√©cnicas e interesses do grupo.

O percurso formativo contém:

  • descri√ß√£o de cada etapa do curso, seus objetivos e foco principal
  • mapa do andamento do curso
  • mapa do andamento de um m√≥dulo
  • gest√£o do conhecimento
  • planejamento
  • refer√™ncias

Estrutura

O percurso é desenhado de modo a promover o desenvolvimento de seres humanos jornalistas, combinando uma formação técnica voltada à produção de informação inovadora e diversa e sentidos e afetos que nos desenvolvem como pessoas e agentes de transformação. Há a formação de um grupo e a jornada é parte da experiência de vida dos jovens e da equipe.

Cada um dos ciclos, os módulos, é uma etapa de maturação do grupo e é singular como experiência, mesmo que as etapas se repitam. No início, ninguém se conhece nem tem domínio técnico do jornalismo. Ao final, teremos um grupo consciente de si, coeso, competente tecnicamente e mobilizado a se apoiar internamente.

O espa√ßo f√≠sico √© importante nessa constru√ß√£o: ancora as rela√ß√Ķes, fomenta autonomia e v√≠nculos co-formativos na turma. Por isso, sugerimos que esteja aberto fora das aulas, para produ√ß√£o e encontros dos jovens.

Na experi√™ncia da √Čnois, o percurso se desenvolve anualmente, dividido em 5 etapas, com 3 encontros de 3h de dura√ß√£o por semana.

Etapa 1: Curso introdutório

Objetivos específicos:

  • Apresentar alunos, equipe e a arquitetura do curso
  • Apresentar comunica√ß√£o como fen√īmeno e teoria; e leitura cr√≠tica da m√≠dia
  • Reconhecer o contexto global do jornalismo

Foco:

O primeiro foco do curso, que se mant√©m durante tempo indefinido, √© fazer o grupo conhecer-se a si pr√≥prio, tendo no√ß√£o de sua diversidade e de seus pontos comuns. Trazer o potencial de todos implica frequentemente em dissolver o clima de competi√ß√£o. √Č bom focar na diversidade trazida pelas apresenta√ß√Ķes e em celebrar todos por terem passado no processo seletivo.

Nesta primeira parte est√£o algumas aulas de conte√ļdo expositivo, combinadas com atividades e discuss√Ķes. √Č a entrada do grupo no entendimento do que √© comunica√ß√£o e jornalismo ‚Äď indo da perspectiva pessoal e emp√≠rica para a social e te√≥rica ‚Äď num formato semelhante ao de aula tradicional. Um momento de a equipe se fazer conhecer, trazendo sua experi√™ncia e forma√ß√£o ao mesmo tempo em que abre para que os jovens reconhe√ßam o pr√≥prio saber.

Sugest√£o de Aulas:

1) Quem sou eu e por que escolhi jornalismo?

2) Regras do Jogo

3) Grana e afeto

4) O que é comunicação & História do jornalismo

5) Leitura crítica da mídia

Etapa 2: Módulo I

Objetivos específicos:

  • Reconhecer a diferen√ßa atrav√©s da conviv√™ncia: promover confraterniza√ß√Ķes para que os alunos se integrem entre si e com equipe
  • Constru√ß√£o de identidade em di√°logo com as diferen√ßas: explorar tema em sala de aula compartilhando repert√≥rio de cada um
  • Experimenta√ß√£o e apropria√ß√£o de ferramentas jornal√≠sticas
  • Produ√ß√£o jornal√≠stica 1

Foco:

√Č o primeiro contato com as t√©cnicas jornal√≠sticas e sa√≠das de produ√ß√£o, que v√£o culminar no primeiro produto entregue por eles. A forma√ß√£o do grupo √© um resultado e uma condi√ß√£o que facilita esse processo.

O tema de investiga√ß√£o do m√≥dulo media a troca sobre as diferen√ßas e semelhan√ßas entre a trajet√≥ria pessoal de cada um. √Č interessante que a equipe participe desses compartilhamentos e se reconhe√ßa nas diferen√ßas sem se dissociar do grupo de jovens.

Como é a primeira exploração de um tema, é possível que alguns posicionamentos sejam mais distantes ou vagos. Sem problema. A participação depende de um campo de relaxamento e confiança a ser construído.

Aten√ß√£o para sensibiliza√ß√Ķes: a maioria dos jovens n√£o teve uma experi√™ncia na educa√ß√£o p√ļblica que contasse com este recurso. Uma sensibiliza√ß√£o serve para ativar outros tipos de cogni√ß√£o (o corpo, analogias, met√°foras, imagina√ß√£o) al√©m da raz√£o formal.

Etapa 3: Módulo II

Objetivos específicos:

  • Explorar a diferen√ßa: com um grupo mais integrado podemos aproveitar os diferentes pontos de vista. O que o olhar do outro pode agregar na maneira como eu vejo o mundo e mim mesmo?
  • Identificar descobertas e desafios pessoais: com base na avalia√ß√£o do m√≥dulo 1, h√° oportunidade de achar quest√Ķes t√©cnicas, pessoais ou relacionais em que cada um possa trabalhar.
  • Experimenta√ß√£o e apropria√ß√£o de ferramentas jornal√≠sticas
  • Produ√ß√£o jornal√≠stica 2

Foco:

O grupo está mais integrado e apropriado do jornalismo, geralmente trazendo aprendizados e objetivos críticos sobre como avançar a produção em relação à primeira experiência.

Podem surgir conflitos. √Č comum que no primeiro m√≥dulo os jovens identifiquem estere√≥tipos, se dividam entre ‚Äúos que fazem‚ÄĚ e ‚Äúos que n√£o fazem‚ÄĚ, por exemplo. Cabe √† equipe promover atividades e di√°logos ‚Äď podendo dar sugest√Ķes e relembrar limites ou a miss√£o do curso ‚Äď para fazer o grupo se perceber, deixando que os pr√≥prios alunos busquem solu√ß√Ķes e desenvolvam a escuta emp√°tica e resili√™ncia. A equipe deve questionar se ela mesma tem essas qualidades de rela√ß√£o e abrir o pr√≥prio percurso de desenvolvimento aos jovens.

Em situa√ß√Ķes que pe√ßam uma escuta mais aproximada, √© desej√°vel que a equipe se reveze para acolher as demandas dos jovens. N√£o se trata de ‚Äúresolver problemas‚ÄĚ, mas validar o sentimento e apoi√°-lo a nomear conflitos, buscar solu√ß√Ķes ou sustenta√ß√£o em sua pr√≥pria rede. Se algum encaminhamento for necess√°rio, √© importante que a equipe contate as institui√ß√Ķes competentes tendo √† m√£o seus contatos.

Etapa 4: Módulo III

Objetivos específicos:

  • Escutar e acolher o que est√° emergindo da identidade: o que estou aprendendo sobre mim mesmo?
  • Celebrar o grupo: recordar os momentos de apoio m√ļtuo e dar consci√™ncia √† capacidade do grupo de gerir a si mesmo
  • Experimenta√ß√£o e apropria√ß√£o de ferramentas jornal√≠sticas
  • Produ√ß√£o jornal√≠stica 3

Foco:

A evolu√ß√£o da experimenta√ß√£o jornal√≠stica, seu impacto e inova√ß√£o, guiam esse √ļltimo momento de produ√ß√£o. O foco √© analisar o que foi feito at√© aqui e sustentar a constru√ß√£o do que o grupo quer desenvolver e transformar junto.

A esta altura do curso provavelmente o grupo se acomodou com lugares mais ou menos cristalizados. O desafio é justamente usar a união do grupo para impulsionar os jovens a saírem da zonas de conforto. Contudo, isso só é produtivo na medida em que houver acolhimento. Desafiar-se em cotidianos cheios de privação pode não ser saudável, por isso é necessário consolidar os vínculos do grupo para provocá-los neste sentido.

√Č poss√≠vel que ainda seja necess√°rio mediar conflitos, mas a equipe deve observar se houve alguma evolu√ß√£o na autonomia do grupo frente a esta capacidade.

Etapa 5: Fim do curso:

Objetivos específicos:

  • Olhar retrospectivo: deslocamentos pessoais e de grupo. Que mudan√ßas houveram?
  • Identificar o que est√° morrendo e o que est√° nascendo em cada um. Rever o ponto de partida e os momentos mais marcantes, encontrando atitudes que devem ser fortalecidas e as n√£o servem mais ao que se √©.
  • Desejos de futuro pr√≥ximo: o que o horizonte aponta como possibilidade frente ao que √© essencial para mim e frente √†s minhas necessidades?
  • Futuro social: o que cada um quer ser e fazer para o mundo, pontes de contato e continuidade  

Foco:

Despedidas e porta para o futuro. Esta √ļltima parte do curso √© fundamental. Ao final do per√≠odo de quase um ano convivendo, conhecendo e se desafiando juntos, √© important√≠ssimo ter a chance de elaborar esta despedida juntos e olhar que caminhos se quer e pode seguir.

O curso pode ter tocado os alunos e seu fim pode causar ansiedade, ang√ļstia ou tristeza. Para respeitar o tempo desta transi√ß√£o, recomendamos uma aproxima√ß√£o lenta do √ļltimo dia de aula. Ir j√° anunciando o fim do curso no √ļltimo m√≥dulo e deixar a √ļltima semana dedicada a olhar para o que vivemos e nos despedir e tamb√©m para enxergar a si pr√≥prio, indagando sobre o que foi deslocado e o que se apresenta como desafio.

Atores

Alunos

Os alunos s√£o o foco de todo processo formativo na Escola de Jornalismo. Devem ser compreendidos como sujeitos em forma√ß√£o, cuja identidade se constr√≥i em constante intera√ß√£o com sua leitura de mundo, colegas, equipe, estando intensamente interessados em suas experi√™ncias pessoais e afetivas. A EJ se pretende n√£o somente √† capacita√ß√£o profissional, mas tamb√©m a oferecer um campo prop√≠cio para que o jovem possa emergir como um sujeito consciente de si, de suas rela√ß√Ķes e do mundo.

O aluno n√£o necessariamente tem pretens√Ķes claras sobre seu destino profissional. Por isso, o jornalismo tamb√©m √© entendido como ferramenta de di√°logo com o mundo, de regula√ß√£o entre percep√ß√Ķes e representa√ß√Ķes culturais, indispens√°veis para a constru√ß√£o de uma identidade que pode muito bem passar por per√≠odos de crises, altos e baixos. N√£o √© incomum que os jovens tomem consci√™ncia de aspectos de si mesmos e de sua realidade circundante que desafiam suas pr√© concep√ß√Ķes ou que revelem sofrimentos latentes ‚Äď o que por vezes pode ser dif√≠cil de elaborar. Desta forma, a EJ se pretende tamb√©m a ser um espa√ßo protegido de elabora√ß√£o de conte√ļdos sens√≠veis ao desenvolvimento do sujeito-aluno.

Cada aluno tem uma trajet√≥ria, uma personalidade singular, suas pr√≥prias ambi√ß√Ķes, talentos e dificuldades. Enxergar a singularidade √© indispens√°vel para reconhecer diversidade. √Č importante que o percurso formativo d√™ espa√ßo √†s express√Ķes individuais para que a qualidade do compartilhamento possa abranger afetos, s√≠mbolos e um campo de confian√ßa para o autoposicionamento.

 

O grupo

O grupo de alunos n√£o √© apenas um agrupamento de pessoas em torno de uma tarefa ou objetivo comum. √Č necess√°rio que ao longo do processo formativo (de prefer√™ncia nos primeiros meses) os jovens adquiram a consci√™ncia de que as rela√ß√Ķes entre eles √© indispens√°vel para a aprendizagem. Devem estabelecer entre si um v√≠nculo co-formativo, baseado no di√°logo, na aceita√ß√£o das diferen√ßas e no fortalecimento m√ļtuo frente suas realidades, constituindo uma rede de apoio entre eles mesmos. O grupo que passa a ser consciente de seus v√≠nculos torna-se capaz de acolher e catalisar processos de transforma√ß√£o pessoal e de constru√ß√£o de identidade, pois pode se entender nas diferen√ßas e semelhan√ßas, pode compartilhar experi√™ncias pessoais, conhecimentos e desafiar a si pr√≥prio.

Neste ponto, √© importante criar encontros extra-curriculares, sem qualquer objetivo pedag√≥gico que n√£o seja simplesmente oferecer um campo de rela√ß√Ķes descontra√≠das e divertidas. Happy-hours, saraus, festas de anivers√°rio, etc. O objetivo √© criar circunst√Ęncias de socializa√ß√£o relaxada para que os jovens possam trocar livremente, entender diferen√ßas e semelhan√ßas de repert√≥rio, se identificarem uns com os outros e criarem v√≠nculos de confian√ßa e cumplicidade.

√Č importante considerar que o grupo de alunos vem de um repert√≥rio de educa√ß√£o formal que muito frequentemente usa da autoridade e do poder institucional para garantir ordem e produtividade. Isso significa que a autonomia do grupo frente o processo jornal√≠stico deve ser constru√≠da, desenvolvida, estimulada, n√£o cobrada logo de cara. √Ä medida em que o grupo ganha repert√≥rio de decis√Ķes conjuntas e exercita a comunica√ß√£o interna sobre que comportamentos est√£o dando certo ou errado, √† medida em que pode confiar em seus pr√≥prios v√≠nculos, o grupo se torna cada vez mais capaz de compreender a responsabilidade implicada na autonomia.

Se queremos que o grupo se autorregule quanto ao cumprimento de prazos, ajustes de projeto e processo e gest√£o das rela√ß√Ķes, precisamos criar condi√ß√Ķes para isso. A maneira que indicamos aqui √© por meio do fortalecimento das rela√ß√Ķes entre jovens e o planejamento de cada vez mais decis√Ķes para eles tomarem e gerirem, partindo de um repert√≥rio de escolhas mais simples e localizadas e evoluir de acordo com o que o grupo apresenta em seu desenvolvimento.

 

A equipe

A equipe s√£o os profissionais que coordenam e acompanham todo o processo formativo. Logo de come√ßo √© muito importante que uma coisa esteja clara neste trabalho com jovens: v√≠nculos s√£o inevit√°veis. Essa vis√£o de v√≠nculo como meio de trabalho, n√£o apenas como efeito, garante que a equipe entenda seu pr√≥prio desenvolvimento a partir da rela√ß√£o com os jovens. N√£o s√£o apenas ‚Äúeles‚ÄĚ que se desenvolvem ao longo do curso. Dificilmente n√£o haver√° alguma afeta√ß√£o da equipe ao entrar em contato com o contexto pessoal dos jovens e estes muito se beneficiam atrav√©s do apoio emp√°tico da equipe. Contudo, s√£o necess√°rios limites para que o v√≠nculo real aja como ferramenta de desenvolvimento m√ļtuo. V√≠nculos implicam em vulnerabilidade, em sensibilidade, em comprometimento, mas tamb√©m em contornos, na capacidade de dizer ‚Äún√£o‚ÄĚ, no reconhecimento de diferen√ßas √†s vezes irreconcili√°veis.

Além disso, os vínculos aqui se dão em um ambiente institucional e seria ingênuo pensar que este fato não reverbera na relação com os alunos. Há limites deste ambiente institucional, assim como do próprio vínculo, para absorver algumas demandas mais graves que podem surgir dos jovens. Por isso, é indispensável que a equipe também seja uma rede de apoio para si própria e saiba refletir sobre sua ação.

A postura da equipe para nutrir os jovens neste percurso é de acompanhamento,  escuta e autoposicionamento. Em outras palavras: não julgar, acolher o que vem deles como expressão de seus contextos particulares e ser claro com limites.

Assim como os jovens t√™m uns aos outros para percorrer o curso, elaborando conjuntamente as dificuldades e transforma√ß√Ķes pessoais, a equipe tamb√©m deve encontrar em si mesma os meios de apurar os conte√ļdos afetivos vividos em sala de aula (VIDE SUPERVIS√ÉO). Como cada um √© afetado, o que cada afeta√ß√£o revela da individualidade de cada um da equipe e que rumos tomar em rela√ß√£o a limites e aberturas poss√≠veis √© um caminho co-formativo que se revela na equipe.

Al√©m dos v√≠nculos com os alunos, a equipe tamb√©m desenvolve uma rela√ß√£o entre seus membros, a ser gerida da mesma forma baseada em di√°logo, empatia, toler√Ęncia, autonomia, para que a equipe possa experimentar os valores que deseja cultivar com os jovens.

Normalmente o que se espera de um curso é que tenha professores, que professem, que profissionalizem; mas o meio para atingir esses resultados frequentemente está baseado no uso de uma autoridade mágica, conferida pelo conhecimento como fonte de poder, ou pela instituição, ou pela maior idade etc. Dado o contexto dos jovens, e em especial um percurso de formação integrada, é crucial que o aluno entenda os limites por sua própria percepção, que se responsabilize pelos vínculos reais que teceu com o grupo e com parceiros externos. O papel da equipe então passa a ser o de facilitar e mediar experiências de percepção, experimentação e organização, se afastando do papel de alguém que sabe frente os que não sabem.

Há um equilíbrio sutil a ser desenvolvido na relação entre alunos e equipe no que tange os limites colocados pelo crivo profissional e técnico e a real disponibilidade de engajamento dos jovens no processo do curso. Há limites que o processo jornalístico coloca que nem sempre podem ser relativizados (prazos, formatos de entrega, compromissos com parceiros, etc). Por outro lado a equipe deve também desenvolver a escuta capaz de identificar limites colocados pelo contexto dos jovens (sua fase de vida, as prioridades colocadas pelo seu contexto, vicissitudes da juventude).

Por fim, conv√©m que a equipe conte com diferentes forma√ß√Ķes que possam cobrir tanto conhecimentos t√©cnicos quanto sobre olhares mais aproximados da experi√™ncia psico-social dos jovens. Nosso exemplo vem da intera√ß√£o entre psicologia e jornalismo, mas forma√ß√Ķes distintas, assim como sensibilidades distintas, s√£o muito bem-vindas.

 

A rede

Ajudando a rechear e sustentar o curso como algo atualizado e ligado ao contexto profissional, a rede atua no curso em diversos pontos, contribuindo para aumentar o repert√≥rio do grupo sobre atua√ß√Ķes, refer√™ncias, t√©cnicas e vis√Ķes de mercado. Entendemos por rede as rela√ß√Ķes com parceiros, amigos, colegas, ex-alunos e demais pessoas de interesse que a escola mant√©m por perto. A rede pode ser acionada para dar aulas, compor bancas de avalia√ß√£o, compor a pr√≥pria equipe, para parcerias de distribui√ß√£o ou consultorias sobre formatos, produtos e pautas. Basicamente s√£o dois atores que comp√Ķem esta rede:

Profissionais volunt√°rios: convidar profissionais para dar aulas demanda ser claro com as necessidades de conte√ļdo e t√©cnica e apoiar a cria√ß√£o de um material original e pertinente ao momento do curso em que se insere. A riqueza no contato com profissionais do mercado inclui a oportunidade de uma troca com os jovens afora o conte√ļdo programado em sala, deixando-os serem entrevistados pelos alunos sobre sua trajet√≥ria profissional e repert√≥rios pessoais. √Č normalmente um proveito de m√£o dupla: os alunos podem contribuir muito para o olhar do jornalista profissional que pode j√° ter se distanciado de sua forma√ß√£o. A dist√Ęncia geracional entre alunos e profissionais convidados apresenta tamb√©m um repert√≥rio de futuro que pode ser inspirador. Aten√ß√£o √† diversidade dos convidados! Tanto a equipe quanto os convidados assumem um papel de refer√™ncia diante dos jovens. Faz diferen√ßa se essa refer√™ncia, de engajamento profissional, de organiza√ß√£o, de criatividade, de mudan√ßa de condi√ß√£o social, etc, reflete a matriz da identidade dos jovens. Tem profissionais pretos, mulheres? Tem representatividade LGBT? E das culturas perif√©ricas?

Ex-alunos: o envolvimento de ex-alunos promove o fortalecimento de uma auto-estima profissional para ambos. H√° uma identifica√ß√£o maior do que com profissionais volunt√°rios muitas vezes e isso pode mobilizar os alunos a acreditarem no percurso formativo e na profiss√£o. Esta rede tamb√©m tem como papel a cria√ß√£o de autonomia da pr√≥pria escola ‚Äď que pode ser futuramente gerida por ex-alunos.

Processo Seletivo

A EJ seleciona 10 jovens para participarem do curso. O processo seletivo consiste em 3 fases nesta ordem: a) question√°rio b) entrevistas c) din√Ęmica de grupo. Cada etapa atua como filtro para a pr√≥xima.

Todos os alunos devem apresentar:

    • Experi√™ncia com comunica√ß√£o: texto / produ√ß√£o audiovisual
    • Escuta
    • √ćndole cr√≠tica
    • Capacidade de trabalho em equipe
    • Capacidade de articula√ß√£o
    • Autonomia
  1. Question√°rio: o primeiro filtro de sele√ß√£o serve para verificar se os candidatos se encaixam no perfil buscado, o uso do dinheiro da bolsa, atividades cotidianas (trabalho, estudos), conhecer um pouco do dom√≠nio da linguagem escrita e capacidade de express√£o, mapear familiaridade com t√©cnicas e conceitos do jornalismo, mapear experi√™ncias e repert√≥rio de produ√ß√£o, mapear refer√™ncias culturais (que informa√ß√Ķes consome, de quais ve√≠culos).
  2. Entrevistas: a segunda fase da sele√ß√£o d√° a equipe ter contato direto com os candidatos, podendo ter impress√Ķes diretas e explorar mais as informa√ß√Ķes do question√°rio, aprofundando o contexto do candidato, o grau de vulnerabilidade social implicado, sua atitude relacional (escuta, organiza√ß√£o do discurso, autoposicionamento)
  3. Din√Ęmica de grupo: a terceira e √ļltima fase do processo seletivo objetiva dar uma situa√ß√£o real de apura√ß√£o para que a equipe possa apreciar a capacidade de trabalho em equipe e habilidades relacionais dos jovens.

Um modelo possível para o processo seletivo:

https://docs.google.com/document/d/1uf81MLB71f1IY6luXrBy7XJIm0k4SjbXdAxI98DGahY/edit

Um modelo possível para questionário:

https://docs.google.com/document/d/1l7q-TORDYmlM-L5F3Ij2c_qrQ5BNNZ3rDLtl52XBeIg/edit?ts=59de71dc

Avaliação

A avalia√ß√£o do percurso √© um processo reflexivo e n√£o reprova ningu√©m. Ela leva em conta as dimens√Ķes auto, hetero, eco (que olham para as quest√Ķes pessoais, de grupo e sociais) e √© feita por meio de avalia√ß√Ķes 360¬į, ou seja cada estudante √© avaliado por equipe, colegas e si mesmo chegando a uma nota que √© um reflexo simb√≥lico de como a atua√ß√£o do estudante est√° sendo interpretada.

Usamos a avaliação em 4 momentos: ao final de cada módulo (são três) e ao final do curso.

Outros formatos sugeridos:

  • Banca de an√°lise dos trabalhos: formar um grupo com pessoas que fazem parte da equipe e de fora do processo formativo para analisar o trabalho produzido pelo grupo √© rico em termos de crescimento e avalia√ß√£o das abordagens, al√©m de estabelecer pontes e contribuir na distribui√ß√£o da produ√ß√£o
  • S√≠ntese est√©tica: pedir aos estudantes que criem um produto art√≠stico (que pode ser um texto, uma escultura, colagem, m√ļsica, apresenta√ß√£o, performance, etc), que resuma alguma etapa do percurso ou o m√≥dulo
  • Avalia√ß√£o t√©cnica: criar ferramentas para avaliar melhorias em reda√ß√£o (aprecia√ß√£o da equipe e dom√≠nio da norma culta), em assiduidade (entregas de tarefas), ou outras.