Atividade

CONVERSAS INDIVIDUAIS

Elaboração de conflitos

Objetivo

Conversas individuais são um dispositivo de escuta empática que pode contribuir em um contexto de sofrimento por questões pessoais pois acontece principalmente na demanda de interlocução sobre um contexto particular. Seu objetivo principal é ajudar a pessoa a se escutar, se reconhecer e nomear seus limites e contexto.

Passo a passo

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Conteúdo:
A media̤̣o deve se contentar em escutar, dividir Рse bem vindas Рsuas impress̵es, e deixar claro o contorno institucional. A conversa deve oferecer uma campo de confian̤a e relaxamento suficientes para que os fatos e narrativas fluam. Se a demanda se apresentar em uma frequ̻ncia maior (combinada pela equipe caso a caso) deve-se encaminhar a pessoa para um processo propriamente terap̻utico.
Conversas individuais cuidam da pessoa mas também do grupo, já que cada um afeta a experiência coletiva. Considerando a idade, fase de vida, contexto familiar e socioeconômico, não é uma surpresa que os jovens estejam muitas vezes “com o pote cheio” e precisamos oferecê-los um campo de elaboração desses movimentos e intensidades.
Este campo de elaboração pode ser crucial para a organização afetiva em um momento de crise, pode ser a diferença entre algo grave acontecer e uma pessoa ser acolhida e respeitada em sua singularidade. O acolhimento acompanhado de limites claros contribui para a resiliência da pessoa, que pode usar de uma relação de cuidado sem perder sua autonomia. A escuta por si só organiza a fala, produz a oportunidade do emissor escutar-se a si próprio. Pela devolutiva do mediador, pode perceber impressões de si no outro, balizando suas representações.
Sempre há um sentimento a ser nomeado, uma relação a ser reconhecida, enfim, algo a ser revelado de forma consciente. Esta dinâmica tem como efeito uma acomodação ou atualização de conteúdos significativos o que libera energia afetiva e cria maior disponibilidade para o presente.

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Como usar
A conversa pode ser pedida ou oferecida. Deve acontecer prioritariamente fora do tempo de aula, cabendo exceções. Em uma primeira vez, antes de começar, deve-se deixar claro o contexto da conversa, como foi percebida sua necessidade, que não se trata de uma terapia e que não se trata de uma avaliação da performance do aluno no curso, mas de uma ferramenta de apoio ao seu desenvolvimento integral. O espaço da conversa deve ser reservado e relaxado, onde ocorra um mínimo de interferências externas.
Após apresentar a moldura inicial da conversa, o mediador oferece escuta empática à pessoa. Escuta empática significa uma escuta conectada às necessidades da pessoa e que reconhece os efeitos da expressão da pessoa no mediador. Isso quer dizer que o mediador recebe os conteúdos da pessoa e os devolve, checando seu entendimento e discernindo seu próprio julgamento. A intenção é a pessoa lide com seu próprio discurso e sentimento, não que o mediador ajude a pessoa a avaliar uma solução. Mesmo assim, o mediador pode apontar possibilidades de ação desde que sejam destinadas a ampliar o horizonte da pessoa, sem inferir que se sabe o que é melhor pra ela.
Deve-se checar com a pessoa que conteúdos podem ser compartilhados em equipe e quais devem permanecer em sigilo. Mas, a depender da intensidade do sofrimento e se houver caso de abuso, é necessário haver encaminhamento institucional e que seja apresentada a possibilidade de acionar intervenções legais. Este é o limite do sigilo, que deve ser oferecido e checado com a pessoa.
A conversa conta com a espontaneidade do mediador, que pode oferecer jogos, fazer perguntas ou ter relações autênticas. Mesmo assim, o principal espaço de fala deve ser oferecido à pessoa. Se trata de um momento em que o mediador (que também é uma pessoa) deve pôr em segundo plano seus critérios morais, seus impulsos e diagnósticos.
Mesmo atendendo a uma demanda individual, a conversa deve também direcionar a pessoa ao grupo, podendo apresentar este como um campo de elaboração dos conflitos pessoais. Assim, deve-se reconhecer em que grau o grupo está representando um espaço de confiança e relaxamento para a pessoa. À medida do que for possível e pertinente, encaminhar a pessoa a compartilhar suas questões com o grupo pode contribuir para a autonomia deste, ampliando a rede de acolhimento da pessoa.
Ao final, deve-se apresentar uma síntese da conversa, checando o entendimento de ocorrências, sentimentos, combinados ou encaminhamentos.

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